Escritora egípcia fala sobre a poesia morta
Estava presente na 4ª Flip uma das mais fortes candidatas a entrar na lista do prêmio Nobel, Radwa Ashour, mulher do poeta palestino Mourid Barghouti, exilado que narra, em Eu Vi Ramallah (Casa da Palavra), sua volta à terra natal 30 anos após ser expulso. Convidada a revelar nomes de jovens poetas, Ashour diz que eles podem ser encontrados nas listas de mortos pelo regime. “Não há censura direta, mas o cerco é tão grande que ninguém se arrisca a ser levado a uma corte nada moderada”, diz. Professora universitária, ela lamenta que os melhores alunos e os que têm maiores condições financeiras estejam deixando o país para estudar fora, atribuindo esse êxodo à crise da literatura egípcia, que há tempos não vê nascer autores que paguem tributo a uma tradição de nomes como Bahaa Taher, Ibrahim Aslan e Mohamad Bussati. “Há um jovem muito talentoso, Salwa Bakr, mas é um exemplo isolado”, observa. “Talvez os poetas de meu país fiquem zangados comigo, mas a boa poesia egípcia só resiste na tradição oral”, conclui.
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