Denúncia, redenção e vingança
A revolução tecnológica da última década criou canais de expressão “caseiros”, que incluem desde pequenas editoras e revistas até a epidemia dos blogs. Com isso, escritores podem passar ao largo do crivo dos editores -para o bem e para o mal. Em poesia, o fenômeno é mais evidente: num livro como O Rastilho da Pólvora: Antologia Poética do Sarau da Cooperifa (Cooperifa, 104 pp., R$ 15), predominam versos de teor confessional e rimas elementares, alheios às complexidades da tradição poética com a qual todo poeta será contrastado. Não por acaso, os melhores poemas adotam a fórmula do rap, que introduziu na lírica um conteúdo narrativo, vazando denúncia social em cadência hipnótica. E é esse enraizamento numa barbárie naturalizada que faz da ficção em prosa a grande contribuição desses “outsiders”. Em Suburbano Convicto, de Alessandro Buzo, a biografia de um jovem desempregado que se envolve com drogas e encontra redenção na literatura oscila entre o registro jornalístico e a parábola moral. Na contramão da narrativa edificante, Graduado em Marginalidade (Scortecci, 168 pp., R$ 25) , de Ademiro Alves (o Sacolinha), é um romance de alta voltagem, no qual o protagonista perde sucessivamente pai, mãe e amigos para o crime e a corrupção policial. Necessita apenas de um polimento editorial, algo de que nenhum escritor pode prescindir.
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