Poemas de Siscar são a sintaxe de um grito
Os 40 textos de O roubo do silêncio (7Letras, 68 pp., R$ 18 – Coleção Guizos), de Marcos Siscar, convidado desta edição da Flip, são mais uma prova veemente do vigor — e também da pluralidade — da poesia brasileira contemporânea. Ao abrir a esmo O roubo do silêncio e ler alguns trechos dos poemas — que se apresentam em prosa — a primeira coisa que chama a atenção de um leitor sensível é o magistral uso da linguagem. Lê-se logo que se trata de poesia de alto quilate, de uma sofisticada criação literária. Mas que não haja engano: Marcos Siscar é muito mais que um “fabro”, um grande virtuose da linguagem. Sua poesia é reflexiva, humana, carregando em seu fluxo uma intensa carga de pensamento; ou, como escreve João Adolfo Hansen na orelha: “sua poesia é culta e teórica”. O roubo do silêncio é a sintaxe de um grito: “A poesia é a privação do silêncio quando algo tornou o silêncio insuportável, quando a experiência da matéria tornou-se obsessão da imagem, e as formas da pedra ou da madeira abandonam a rocha e o tronco, quase que espontaneamente.”
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