Medellín, como no Rio
A perda da palavra e da visão de mundo do artista, a visão aparentemente descomprometida com o real, mas incisiva e radical na sua avaliação das conjunturas atuais, pode ser bem aquilatada no romance colombiano que nos chega às mãos, A virgem dos sicários (Companhia das Letras, 112 pp., R$ 29, trad. Rosa Freire d’Aguiar), de Fernando Vallejo.
A cidade onde se passa a ação de A virgem dos sicários não se diferencia de Rio ou São Paulo. É a Medellín, de Pablo Escobar, conhecida como centro internacional do tráfico de drogas. Seus habitantes também a chamam de Medallo, em virtude das 150 igrejas, ou de Metrallo, em virtude da eficácia no manejo das Mini Uzis pelos jovens. Ao contrário da cidade, autor, narrador e personagem do romance guardam o mesmo nome, Fernando Vallejo. É este que, depois de 30 anos de ausência, retorna à cidade natal para escrever, narrar e rever/viver.
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