Senhora das feras
Orides Fontela é desses poetas sem afetação, que passa o recado sem rodeios, com versos cortantes e cheios de lirismo. Desde que morreu, em 1998, seus livros entraram para o rol das obras quase impossíveis de achar em livrarias e sebos. “Trevo”, que reúne sua produção entre 1969 e 1988, há anos está esgotado, assim como “Teia”. Agora, oito anos depois de sua morte, a editora Cosac Naify traz ao grande público Poesia Reunida [1969-1996] (363 pp., R$ 55), com bibliografia atualizada e bastante ampla. Seu amigo, o crítico Antonio Candido disse certa vez que ela tinha um dos dons essenciais da modernidade: “dizendo, de forma densa, muita coisa por meio de quase nenhumas palavras, organizadas numa sintaxe que parece fechar a comunicação.” Marilena Chauí, que foi sua professora, diz – no prefácio de Teia (1996), último livro de Orides – que seus versos não são metafísicos, nem feministas, nem filosóficos, e tampouco tomam partido. Além de ter Candido e Marilena entre seus fãs de carteirinha, Orides fascinou um batalhão de intelectuais e escritores tarimbados, Flora Süssekind, José Maria Cançado, Davi Arrigucci Jr., Augusto Massi, José Miguel Wisnik, entre outros.
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