Iberê total
Se, como quer o crítico Paulo Sergio Duarte, a obra de Iberê Camargo “é uma ilha com as maiores elevações no pequeno arquipélago da arte brasileira”, o mapa desse território que conjuga beleza e aridez está a caminho. O artista gaúcho, unanimemente reconhecido como um dos maiores pintores do país, acaba de ter todas as suas gravuras reunidas no primeiro volume do catálogo completo de sua obra, resultado de um trabalho de seis anos da Fundação Iberê Camargo, ao custo de R$ 700 mil -financiado em parte por um prêmio da Petrobras, em parte pelo patrocínio do grupo Gerdau. O volume de 500 páginas, co-editado pela fundação e pela Cosacnaify, é o primeiro resultado do trabalho de catalogação da obra de Iberê, que contará ainda com a reunião de suas pinturas e, depois, de seus desenhos, a cargo de Mônica Zielinsky, professora do Instituto de Artes da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e responsável por uma equipe de sete pessoas. Embora o artista seja antes de tudo um pintor, a reunião de 329 gravuras agora disponível no primeiro volume do seu Catálogo Raisonné (R$ 159) apresenta a unidade de um trabalho que tem seus grandes e diferentes marcos presentes nas diversas técnicas, em permanente transformação, mas que evidenciam sempre o que Zielinsky chama de um “conteúdo fortemente trágico”.
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