O macarrônico com servecha
Dos recentes fãs dos Cassetas e seu “Planeta Diário” aos órfãos de Juó Bananére (pseudônimo do engenheiro e escritor Alexandre Marcondes Machado, 1892-1933) e sua impagável “Divina Increnca”, quem prova dos macarrônicos dialetos satíricos que parodiam e carregam gestos e identidades sociais, traduzidos em hábitos lingüísticos grafados numa “maniera de scrivê, chi a gentil scrive uguali come dice”, fica sempre com gosto de quero mais. Por trás do prazer intelectual do reconhecimento suscitado pelos essenciais jogos de linguagem, sob o manto do escracho e da galhofa, um riso feroz faz seu trabalho político, necessário e subversivo, desestabilizando certezas e plantando pulgas atrás de orelhas. Editada e apresentada por Carlos Eduardo Capela e Ana Carina Engeroff, a antologia do Barão de Itararé recém-lançada pela Editora da UFPR (Universidade Federal do Paraná), Zubblemend To Alle… Manha (UFPR, 230 pp., R$ 30) resgata dos arquivos extenso material disperso, organizando-o em três períodos: de 1926 à Revolução de 30; de 1930 a 1937, coincidente com a escalada belicosa nazista, lida em chave brasileira; e de 1945 a 1947, com as respostas brasileiras às novidades do pós-guerra. Nem é preciso dizer que a sombra funesta dos “rapais ta Bikotinhe” atravessa estes textos, bem como a crítica ao mito da eficiência atribuída aos oligarcas brasileiros de origem alemã. Vale a visita às barbas brancas do Barão, expoente de um jornalismo humorístico cuja história esquecida, aliás, outro volume recente, o ótimo Preso por Trocadilho: A Imprensa de Narrativa Irreverente Paulistana 1900-1911 (São Paulo, Alameda Editorial), de Paula Ester Janovitch, ajuda a recontar.
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