A rebelde melancólica
“E só digo o que penso/ Só faço o que gosto/ E aquilo que creio”, cantava Maysa (1936-1977) na autobiográfica Resposta. Muito antes de Leila Diniz virar símbolo da liberdade feminina, Maysa já aprontava das suas. Ou há atitude mais debochada do que largar um casamento com um milionário quatrocentão, enfiar uma garrafa de vodca debaixo do braço e ir cantar música de fossa em cabarés? Isso, nos anos 1950, na provinciana São Paulo. A vida de Maysa daria um livro. E dará. Seu baú está nas mãos do jornalista e escritor Lira Neto, autor de biografias do presidente Castello Branco (Castello, a Marcha para A Ditadura, Editora Contexto) e do romancista José de Alencar (O Inimigo do Rei, Editora Globo). Maysa, quem diria, era tímida e por isso, segundo Lira Neto, bebia muito. Quando morreu, em janeiro de 1977, aos 41 anos, durante um acidente de automóvel na ponte Rio-Niterói, estava sob o efeito de medicamentos, triste e deprimida. Essa face pouco conhecida da vida da artista será narrada com detalhes por Lira Neto, que pretende entrevistar dezenas de pessoas, entre amigos, artista e desafetos, que não foram poucos. O título, provisório, não podia ser mais sugestivo: “Maysa – Só Numa Multidão de Amores”. “O Jayme (Monjardim) me deu total liberdade para dizer o que tem de ser dito. Ele só tem uma preocupação, que também é minha: não fazer um livro que seja melancólico.”
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