Querendo ver o último jardim
Num mapa, onde fica o Paraíso? Aos olhos contemporâneos, acostumados à mundana e funcional cartografia de estradas e fronteiras, a própria pergunta é absurda. Mapas mostram coisas reais, e não as imaginárias. Aquela busca seria como procurar felicidade numa lista telefônica. Como mostra Alessandro Scafi em sua erudita história sobre o esforço cristão para mapear o Paraíso (Mapping Paradise: A History of Heaven on Earth, University of Chicago Press, 400 pp.), os cartógrafos pré-modernos concentraram-se em navegação espiritual – não em localização secular. Eles tentaram representar tempo e espaço de um modo que ainda hoje é belo, mas pode parecer intrigante. Esses mapas mostravam Deus, a história e os infortúnios e as alegrias humanas, freqüentemente bíblicas. O Jardim do Éden era um lugar real, assim como Adão era um homem de verdade.
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