Multiculturais, as livrarias no melhor estilo Perdizes
A Livraria da Esquina e a Cortez, ambas em Perdizes, não têm o porte das lojas de rede nem inúmeras opções de títulos, amplas seções de eletrônicos, jogos ou de música. Sabem que não há como brigar com as grandes do segmento, que se tornaram quase multimídia. Para compensar, tornaram-se multiculturais: os espaços acanhados ganham em charme e eventos são centrados para o bairro. Viraram ponto de encontro. “Vejo a cultura como um casamento de idéias. A pessoa entra para comprar um livro e assisti a um show ou vem justamente para isso e acaba se interessando por alguma leitura”, diz o dono da Livraria da Esquina, Heitor Costamilan. Inaugurado há dois anos, o estabelecimento ganhou o nome por estar entre as Ruas Caetés e Caiubi e tem todo dia uma apresentação musical. Ligada desde sua inauguração à Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, a Livraria Cortez hoje tenta perder um pouco do caráter acadêmico justamente com eventos culturais para o bairro. “A ligação ainda é forte, mesmo porque o dono, José Xavier Cortez, começou a vender livros dentro da própria PUC, na época da ditadura, os chamados ‘proibidos’, de esquerda”, diz o supervisor Marcel Cleante. “Mas, de uns anos para cá, estamos mudando isso e passamos a oferecer várias oficinas abertas para os moradores do bairro.” Durante 15 dias do mês, a livraria abriga leituras de cordel, oficinas sobre o tema, debates com especialistas, entre outros eventos. “A gente tem apresentações de repente, lançamentos e até oficinas de xilogravura para as crianças”, afirma o supervisor.
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