Arquitetura da destruição
Na última coluna, escrevi sobre Lições de Sade, de Eliane Robert Moraes. Como o lançamento dessa coletânea de ensaios ocorreu ao mesmo tempo que a nova edição de Os 120 Dias de Sodoma (Iluminuras, 368 pp., R$ 44), do libertino francês, retorno ao tema. De saída, deve-se ressaltar que o festim de sangue, esperma e coprofagia do “divino marquês” constitui um clássico que é imprescindível ter na estante -porém fora do alcance das crianças… A referência aos efeitos pedagógicos da obra não é mero jogo de palavras, pois está no cerne do sistema sadiano. Daí o subtítulo do livro: “A Escola da Libertinagem”. Foi esse projeto de modelar para o homem um rosto cruel, conseqüente com uma natureza sem criador (ou na qual impera o “deus dos filósofos”, abstrato ao ponto de dar as costas para a dor da criatura), que seduziu os pensadores que reabilitaram Sade no século 20.
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