Velhice sabor limão
A sabedoria popular diz que a velhice deixa o homem mais pleno e tranqüilo. A inquietude, que atingiria o seu pico na juventude, seria finalmente superada nessa época da vida. A julgar por essa visão da velhice, a sabedoria popular e Julian Barnes têm pouco, muito pouco em comum. “Minha visão da velhice é a mesma desde os meus 25 anos. Foi quando eu percebi pela primeira vez que a serenidade que nós relacionamos à velhice é uma ficção social”, diz o escritor. A relação de Barnes com a velhice parece ser a chave para entender (e, assim, apreciar melhor) Um toque de limão (Editora Rocco), livro de contos do inglês que foi lançado recentemente no Brasil. As onze histórias reunidas no livro têm muitos pontos em comum. O texto elegante pontuado por um humor ácido e discreto é um deles. O clima melancolicamente nostálgico é outro. Os contos seguem caminhos diversos, mas tratam de temas, como arrependimento, solidão e dificuldade de convívio, que estão ligados à mesma região sombria da alma humana. Muitos deles são protagonizados por idosos que não sabem lidar bem com suas limitações (afetivas, físicas…). A maioria parece querer dizer que a velhice é uma droga.
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