A vanguarda vai à missa
Duas décadas atrás, ele agitou o ambiente da música popular brasileira com sua inovadora fusão de música de vanguarda, linguagem de novelas radiofônicas e elementos de histórias em quadrinhos. Seus álbuns “Clara Crocodilo” e “Tubarões Voadores”, ambos saudados pela crítica, marcaram com irreverência e teatralidade a cena cultural daquela época. Mas o impacto de suas primeiras obras não impediu que Arrigo Barnabé tivesse de enfrentar um considerável ostracismo, ao longo da década seguinte. “O Arrigo parecia um Ovni dentro do contexto da música popular brasileira. Acho que ‘Clara Crocodilo’ é o disco mais radical, esteticamente, que se produziu no Brasil do século XX”, avalia o escritor paulistano Fábio Henriques Giorgio, autor do recém-lançado livro Na Boca do Bode – Entidades Musicais em Trânsito (Atrito Art / Prefeitura de Londrina, 140 pp., R$ 40). Após dois anos de pesquisa, Giorgio revela como as obras de Arrigo e Itamar Assumpção foram geradas, no inicio dos anos 1970, em meio a uma efervescente cena cultural que se esboçou no Norte do Paraná a partir de festivais de música.
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