Caminhando pela Espanha
A história de Ana-Não (Mundo Editorial, 248 pp., R$ 33,90), de Agustín Gómez-Arcos, se passa na Espanha. Ana Paúcha, uma mulher que ao sentir a morte se aproximar, resolve cruzar a Espanha da Andaluzia ao País Basco, a pé, para encontrar seu único filho vivo, preso desde a Guerra Civil Espanhola – a mesma que matou seu marido e seus dois outros filhos. Sem ao menos se despedir da aldeia de pescadores onde vive, Ana parte e, aos poucos, conhece a Espanha de perto – uma Espanha que ela jamais havia conhecido, encontrando os vícios e a contrariedade de uma época em que o franquismo afirmava sua onipotência. Ao mesmo tempo, nesse universo inesperado, ela vê a presença constante da morte, que lhe passa recados dúbios sobre a certeza de concluir sua jornada e encontrar o filho. Com o passar do tempo ela se vê sem dinheiro e, mesmo assim, tem que lutar para prosseguir. As lições que se aprende ao longo de uma vida, tem para Ana Paúcha uma utilidade discutível – mas são os encontros com as pessoas, sobretudo as mulheres, que lhe permitirão relacionar-se com o mundo.
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