Onde fica a bela Paris?
A síndrome de Ulisses (Planeta, 376 pp., R$ 39,90, trad. Luis Reyes Gil), de Santiago Gamboa, usa o nome com que são conhecidos os distúrbios que acometem os imigrantes para enfeixar o relato delicado de um jovem escritor que lava pratos nos porões de um restaurante oriental e estuda na Universidade de Sorbonne. Sua história forma-se a partir das vozes de seus amigos e de suas numerosas mulheres resultando num testemunho vertiginoso de línguas e peles africanas, orientais, latinas e também francesas. A Paris de A síndrome de Ulisses não é a Paris luminosa dos turistas e estudantes. É a cidade subterrânea e cinza dos imigrantes, daqueles que perderam toda a esperança em seu próprio país. Mas que sempre serão estrangeiros no país de “adoção”.
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