Aos 50
Alguns dos 5.400 livros já deixaram as estantes, mas de resto pouca coisa mudou no apartamento de Fernando Sabino na Rua Canning, em Ipanema. Ainda está lá o sofá da sala, onde costumava cochilar. “Ele cismava que o sofá o expulsava para fora e me pediu para botar um calço”, conta Pedro Sabino, filho do escritor. Também estão lá o capacete da Scotland Yard que ele ganhou da corporação inglesa após uma crônica, o painel de fotos em preto-e-branco que montou com imagens de parentes e amigos, além da pequena bateria. Numa mesa, vê-se o computador onde escrevia os livros e, num canto, a velha máquina de escrever portátil. Um ano e meio após a morte do escritor mineiro, as homenagens estão apenas começando. O aniversário de 50 anos de seu maior clássico, O encontro marcado, motiva uma longa lista de celebrações. A maior delas é a exposição que seu filho Bernardo organiza para outubro. Outra filha está escrevendo um livro sobre o pai. Filmes, peças, ópera e show também estão na pauta de comemorações. Pedro e a Editora Record estudam o lançamento de uma edição comemorativa do romance protagonizado por Eduardo Marciano. Nos meses que antecederam sua morte — em 11 de outubro de 2004, na véspera de completar 81 anos — Sabino trabalhava num livro que retomava seu personagem mais famoso. Ele não chegou a concluir o romance, intitulado A resposta. Escreveu cerca de três capítulos do que classificava de “autobiografia não autorizada por mim mesmo” ou “memórias póstumas antecipadas não autorizadas”. No livro, narrado por Marciano, personagem e autor contracenam. É como se agora Marciano falasse de Sabino — daí o nome, “A resposta”. A obra permanecerá inédita, porque em seu testamento o escritor proibiu lançamentos post mortem.
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