Publicidade
Voltar CLIPPING

Um romance histórico que já nasce clássico

24 de junho de 2006
2 min de leitura
060624_defeito_cor

Publicidade
Publicidade

Um defeito de cor (Record, 954 pp., R$ 79,90), de Ana Maria Gonçalves, é desses livros que já nascem clássicos. Não é à toa que Ana Maria Gonçalves conseguiu um feito raro no mercado literário brasileiro. Sendo praticamente desconhecida, pois este é seu segundo livro, obteve o apoio de uma grande editora, que não apenas a publicou como acreditou numa obra de quase mil páginas. Além disso, a autora mineira apostou em um tema já exaustivamente discutido no Brasil, a escravidão, só que de forma original e envolvente. Ana Maria desenvolve aqui um romance histórico de grande qualidade, não apenas no estilo, dinâmico e envolvente, como na pesquisa, profunda como o tema merece, fazendo sua personagem principal, Kehinde, depois rebatizada Luísa Gama, nascer na África do início do século XIX e ser levada como escrava a um lugar muito distante, tratada como mercadoria no navio negreiro e separada da família de uma forma traumatizante. Diferentemente das teses acadêmicas sobre o assunto, que por melhores que sejam não superam a frieza da figura do “observador distante”, Ana Maria consegue levar o leitor a mergulhar no universo da pequena escrava, a sofrer com ela, a viver sua dor e a ter as mesmas esperanças.

Tags:
Compartilhar:

Leia Também

Gostou deste conteúdo?

Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email

Toda segunda e quinta
Publicidade