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Lapidador de intelectos

23 de junho de 2006
2 min de leitura

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O presidente Lula já chegou a sugerir que livros sejam incorporados à cesta básica brasileira. O pedreiro Evando dos Santos rebate que a idéia é sua. “E já foi até registrada em cartório”, afirma. Santos montou uma das mais conhecidas bibliotecas comunitárias brasileiras, que leva o nome do escritor Tobias Barreto de Menezes, localizada na Penha, no Rio de Janeiro. Atualmente, Santos está desempregado. Sua atividade diária é organizar os 42 mil volumes espalhados pelos cômodos de sua casa – ele guarda livros até na casinha de cachorro. “Se me perguntarem como faço para viver sem dinheiro posso afirmar que vivo atualmente uma aventura livresca”, diz bem-humorado. Santos conta que grandes sonhos sempre povoaram sua mente. Em todos eles, os livros estão presentes. “Sempre quis viver no meio de muitos livros até que consegui”. Um outro desejo era de que tais volumes fossem abrigados em uma biblioteca projetada por Oscar Niemeyer. Um dia, ao ver o arquiteto num programa de TV, o pedreiro não teve dúvidas. Pegou no telefone e pediu à produção para falar, ao vivo, com Niemeyer, que deu forma ao seu sonho. O projeto foi apresentado ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que arcou com os R$ 651 mil necessários para a construção do prédio. A biblioteca será inaugurada em novembro e ainda abrigará, por sugestão do pedreiro, uma faculdade comunitária de Letras, com ensino da língua bunda (de origem angolana), do tupi-guarani, do latim, do português, espanhol e do alemão.

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