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Aquela voz que vem de dentro

23 de junho de 2006
1 min de leitura

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Ninguém se torna escritor se não conseguir, antes disso, ouvir a própria voz. Esta é uma experiência radical, e absolutamente íntima, que perdura por toda a vida e, em alguns casos, coloca a própria vida em risco. Basta pensar em Virginia Woolf, já uma escritora consagrada, a ouvir vozes e mais vozes – que eram suas, pois vinham de dentro dela- , zoeira insuportável que a levou a se matar, em 1941, nas águas do rio Ouse. “Para um escritor, a voz é um problema que nunca o deixa em paz”, afirma A.Alvarez no ensaio A Voz do Escritor (Civilização Brasileira, 160 páginas, R$ 28,90). Ter uma voz, contudo, não é, como muitos pensam, o mesmo que chegar a ter um estilo. Isso, um estilo, que cheira mais a moda que a literatura, qualquer escrevente aplicado pode ter. E é um perigo, ainda mais se o escritor for bem-sucedido em sua busca, já que o estilo encontrado, que a princípio terá a aparência de um tesouro, logo se transformará em uma couraça, feita de padrão e de repetição.

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