O submundo de Berlim
Em O último homem em Berlim (BestSeller, 378 pp., R$ 39,90, trad. Alda Porto e Cristina Laguna), Gaylord Dold evoca o espetáculo macabro que foi a Berlim de Hitler, Goebbels e Goering. Por meio da riqueza de detalhes e de uma habilidosa narrativa, o autor criou uma inquietante e eloqüente história. Ao longo dos anos 1930 a 1933, a Polícia Metropolitana de Berlim era considerada uma das mais progressivas e bem organizadas da Europa. Era formada por 21 mil funcionários, dos quais 14 mil eram policiais de ronda uniformizados, três mil detetives e cerca de quatrocentos espiões políticos. Fritz Barlach trabalhava como policial havia seis anos e, na maior parte desse tempo, patrulhou as ruas de um distrito perigoso de Berlim, habitado pela classe trabalhadora e dominado por marxistas e bandidos desempregados. Em uma dessas noites, uma noite fria de outono, Barlach entrou em um beco escuro para urinar. Foi nesse momento que viu um corpo deitado de costas. Era uma garota linda e delicada, cuidadosamente arrumada, com cabelos pretos e lisos, que formavam uma moldura perfeita. Usava um vestido de noite preto, envolto em lantejoulas e sapatos de saltos altos e finos. Porém, mais chocante que o assassinato em si é a identidade da vítima. Aí começa o mistério.
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