A poeira que não baixou
Em 2001, logo depois da queda do Talibã, a norueguesa Asne Seeiestad passou três meses vivendo com uma família afegã em Cabul. Ela vinha do trabalho exaustivo como jornalista no Vale do Panshir e nas estepes do Afeganistão acompanhando os comandantes da Aliança do Norte. Com a queda do regime, chegou à capital poeirenta e devastada onde conheceu o livreiro Sultan Khan. Impressionada com o que parecia a expressão concreta da contradição (um livreiro, num país majoritariamente analfabeto), propôs que ele a recebesse para que ela escrevesse um livro. Na casa morava uma família numerosa, incluindo as duas mulheres de Khan e seus filhos. A bela norueguesa submergiu por três meses sob a burca. Da experiência resultou O livreiro de Cabul, que foi vendido para mais de 30 países e já bateu a marca dos dois milhões de exemplares. É um retrato comovente de uma cultura em que a disciplina e a observância religiosa prevalecem sobre o desejo e há pouquíssima folga para a vontade individual circular.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta



