Livros ruins também afastam, diz Papert
Precursor da corrente que defende a tecnologia como ferramenta fundamental na educação, o americano Seymour Papert, 77, é o sonhador e idealizador do projeto dos laptops a US$ 100 e há oito meses esteve com o presidente Lula para defender sua proposta. Leia trecho da entrevista que ele concedeu por telefone, do Maine (EUA), onde vive. O computador afasta crianças e jovens dos livros? “Bem, livros ruins também podem afastá-los de livros bons. O que a leitura faz com um indivíduo? Depende se ele lê boa literatura ou tablóides e romances ruins. Da mesma forma, tudo depende da maneira como o computador é usado, e os adultos precisam guiar as crianças nesse mundo, senão elas aprenderão a usá-lo com propósitos errados. É preciso desenvolver novos métodos de ensino que usem a tecnologia digital, e isso deve ser visto como prioridade “top” por todos os países e organizações internacionais.” A vida digital distrai alguns pequenos dos estudos? “Sim. Muitos usam um micro de tal forma que ele mina a sua atenção. A culpa não é do mundo digital. Acontece que as crianças têm ferramentas poderosas e não sabem usá-las adequadamente. Se lhes dermos carros velozes, mas nenhuma aula de direção, elas farão coisas terríveis contra si mesmas.” Poderia citar alguns educadores que o senhor admira? “O primeiro é Jean Piaget, com quem trabalhei na Universidade de Genebra. Tudo o que penso como educador foi influenciado por ele. E minha segunda maior influência é bem familiar para você: Paulo Freire.”
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta



