Pesadelo chinês
Ange Zhang tinha 15 anos em 1968, quando teve de abandonar a escola e passar a viver na zona rural da China, para trabalhar e aprender com os camponeses. Era o ápice da Revolução Cultural, movimento que virou o país de cabeça para baixo entre 1966 e 1976, com o ataque a tudo o que era identificado como burguês, tradicional ou ocidental. Filhos se voltaram contra os pais, estudantes contra os professores e até líderes tradicionais do Partido Comunista passaram a ser vítimas de perseguição. Escritor, o pai de Ange foi enviado à prisão, onde passou quase toda a Revolução Cultural. Sua tia, comunista veterana, suicidou-se depois que seus alunos a “denunciaram”. O relato desse longo período de turbulências e privações está no livro Terra, Vermelha, Rio Amarelo (SM, 64 pp., R$ 26), para o qual Ange realizou ilustrações. Os rostos que ele retrata são tristes e melancólicos, bem diferentes dos cartazes da época, que mostravam estudantes, camponeses e operários sorridentes e confiantes em um futuro incerto.
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