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Mitos e perversões de Mingus

23 de dezembro de 2005
2 min de leitura

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Já na década de 1950, quando se estabeleceu como um dos criadores mais originais do jazz, Charles Mingus (1922-1979) surpreendia os muitos ouvintes com composições excitantes, muitas vezes furiosas. Em sua autobiografia, que acaba de ser lançada no Brasil pela editora Jorge Zahar, o contrabaixista e compositor americano também reserva surpresas ao leitor. Em vez de narrar de modo convencional os fatos que marcaram sua trajetória pessoal e artística, ele mistura casos reais e ficcionais, num relato impregnado de angústia e indignação, sem dispensar o humor e a crítica. Lançado pela primeira vez nos Estados Unidos, em 1971, Saindo da Sarjeta (272 pp., R$ 39,50) (“Beneath the Underdog”, no original) começou a ser escrito por Mingus em meados dos anos 1950. Durante esse período, o livro foi aumentado e editado várias vezes, num processo semelhante ao que o jazzista utilizava em suas composições mais ambiciosas. O resultado se aproxima de um romance: é composto por muitas cenas curtas, escritas em forma de diálogo. A difícil tradução do livro foi bem executada pelo expert Roberto Muggiati, autor de várias obras sobre jazz e blues. Ele acrescenta ao texto uma discografia selecionada, na qual comenta 20 dos álbuns mais importantes gravados pelo compositor. Um bom roteiro para aqueles que quiserem uma trilha sonora – a mais apropriada, sem dúvida – para acompanhar as peripécias mitológicas do impetuoso Charles Mingus.

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