Dez anos após sua fundação, Ateliê ainda aposta no artesanal
Uma editora em que o dono conhece todos os autores que publica é uma raridade num mercado cada vez mais sintonizado com a lógica do comércio internacional de livros, menos preocupado com a qualidade e mais com a quantidade. Comemorando dez anos de fundação da Ateliê Editorial, o editor Plínio Martins Filho, ao contrário, reafirma sua disposição inicial de manter um catálogo pequeno e exclusivo, que começou com a aposta num autor estreante, o carioca Rodrigo Lacerda, cujo primeiro livro, O Mistério do Leão Rampante, ganha terceira edição junto a outros 13 títulos selecionados para comemorar o aniversário da editora. Além dos livros escolhidos entre os 300 publicados, um foi especialmente produzido para marcar os dez anos de existência da Ateliê. Trata-se de Conto até Dez, seleção organizada por Marcelino Freire com contos inéditos dos autores da casa, entre eles Bruno Zeni e Márcia Denser. Os livros da Ateliê têm até mesmo na aparência algo de artesanal. São conhecidas as edições em papel pólen soft e as capas de papelão que conferem ao livro uma identidade visual diferente de tudo o que há disponível no mercado editorial. “Sendo professor de editoração, pegaria muito mal fazer um livro descuidado”, brinca o editor Plínio, que começou a usar papelão para publicar os clássicos e concluiu há cinco anos ser esse o material ideal para a publicação de A Máquina do Mundo Repensada, do grande poema do concretista Haroldo de Campos, morto em 2003.
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