Liberado acesso aos arquivos da ditadura
Visivelmente emocionada, olhos vermelhos, tosse persistente interrompida após um gole de água, a chefe da Casa Civil, ministra Dilma Roussef, anunciou ontem a transferência para o Arquivo Nacional, em Brasília, de todos os documentos secretos do Serviço Nacional de Inteligência (SNI), Conselho de Segurança Nacional e Comissão Geral de Investigações, que estavam guardados na sede da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). São dados, depoimentos, dossiês, livros, cartazes de filmes e panfletos, originais ou copiados, elaborados especialmente durante o regime militar, mas que compreendem um período que acaba em 1990. Eles ficarão disponíveis, a partir de janeiro, especialmente para os personagens envolvidos diretamente no caso. Para historiadores e público em geral, as informações serão livres, ressalvando o princípio constitucional de respeito à intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas. “A sociedade passa a se apropriar de um momento histórico. Estes arquivos deixam de ser objeto de inteligência e passam a ser objeto de reflexão sobre a democracia”, defendeu a ministra. No caso do SNI, são 220 mil microfichas, que representam um milhão de folhas microfilmadas, além de 13 arquivos de aço com fotos, cartazes, filmes, livros, panfletos e revistas, correspondendo a um período de 1964 a 1990. Do antigo Conselho de Segurança Nacional, vieram dados sobre cassações políticas, de 1964 a 1980, catalogados em 311 caixas-arquivo e 90 metros de documentos. Da Comissão Geral de Investigações, mais 948 caixas-arquivos e 265 metros de documentos relativos a enriquecimento ilícito.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta

