Tal como nele mesmo
Tal como a Eternidade enfim o transformou, sub-rogando-se em Maria Lúcia Pallares-Burke, eis Gilberto Freyre, um vitoriano dos trópicos (Unesp, 481 pp., R$ 58). Trata-se de obra monumental nos dois sentidos da palavra, tanto pela abrangência e volume da pesquisa quanto pelo que representa na edição brasileira. Podemos encará-la como um “túmulo” mallarmeano, isto é, pedra ao mesmo tempo funerária e consagradora, marco miliário digno do espírito que o inspirou. Lendo não só os livros que Gilberto Freyre escreveu e publicou, ela inovou lendo os que ele mesmo lera ao longo da vida, em particular nos anos de formação, do que deixou na respectiva marginália a mensagem secreta de sua história intelectual e a chave privilegiada para decifrá-la. Gilberto Freyre instituiu e implantou novos paradigmas para compreender nossa história social, segundo a célebre teoria de Thomas Kuhn para explicar a estrutura das revoluções científicas. É como novo paradigma que devemos encarar o livro de Pallares-Burke, ou seja, marco definitivo que rejeitou para a pré-história todos os estudos gilbertianos anteriores.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta

