Visão cínica e sentimental da dourada Era Thatcher
Para políticos e agregados ao Partido Conservador, a capital britânica era uma festa naquele 1983 em que Margareth Thatcher conquistou seu segundo mandato à frente do governo do Reino Unido. Alan Hollinghurst usa a euforia gerada por essa vitória entre as classes mais favorecidas do país como pano de fundo para A linha da beleza (Editora Nova Fronteira, 464 pp., R$ 49,90, trad. Vera Whately), livro com que, além de ter vencido o Booker Prize de 2004, voltou a abordar o conflito entre homossexualismo, desejo e cinismo social. Elogiado como um dos grandes expoentes da literatura de ficção gay, Hollinghurst também aproveita A linha da beleza para satirizar a ambição dos anos dourados do thatcherismo, marcados por privatizações e um incentivo ao egoísmo entre os britânicos. O glamour, independentemente de sua ridicularidade, dá lugar a uma sinistra decadência nos trechos finais do livro, em que tragédias pessoais são postas em perspectiva diante de problemas mais abrangentes.
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