Viagens de descobrimento
Nascido em 1962 e criado no interior de Portugal, Francisco José Viegas tem uma vasta vida literária. Foi professor universitário no Alentejo, crítico e editor de publicações ligadas à área. Firmou-se como poeta no início da carreira, mas já produziu peças teatrais, relatos de viagem e, ultimamente, dedica-se a romances policiais. Ora, direis, mais um autor policial. Não procede. Em Um céu demasiado azul (Record, 352 pp., R$ 39,90), lançado no Brasil pela editora Record, a trama se desenvolve em meio ao interesse pela comida, por charutos, pelo futebol e pela conversa entre amigos. Porque os protagonistas deste livro são dois inspetores de polícia que fazem de sua amizade a massa que dá liga ao romance. O autor dá o tom certo para escapar às armadilhas impostas pelo gênero, equilibrando em cada cena uma dose certa de poesia e aridez.
Como convém a um romance policial, é uma viagem de observação e descobrimento, afinal, é uma história de investigadores e investigados. Mas, para apreciar a viagem, é preciso compreender que esses papéis se revezam durante a viagem.
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