Pré-Kant
A figura de Immanuel Kant é referência obrigatória para toda a filosofia moderna. Seus estudos metafísicos, estéticos, epistemológicos e éticos constituem algumas das contribuições mais originais ao pensamento ocidental. Os ensaios reunidos na coletânea Escritos pré-críticos (Unesp, 282 pp., R$ 37), publicados por Kant entre 1762 e 1770, constituem um traçado do rico percurso intelectual do filósofo alemão. No período pré-crítico da obra kantiana, quando é muito forte a influência de Leibniz e Wolff, revela-se a gênese do embate do filósofo com a metafísica dogmática, tão importante para a articulação da Crítica à razão pura. Após procurar identificar, na década de 1750, as posições metafísicas de Leibniz com a filosofia de Newton, Kant passa a trabalhar na concepção de uma nova metafísica que examine a razão de modo cético. A partir de 1762, como salienta Vinicius de Figueiredo na apresentação, Kant impôs de modo explícito, já bem no estilo que caracteriza a fase crítica, “aquela exigência de recuo diante da metafísica que engendrou a busca de um cânone para o uso da razão e, paralelamente, ensejou a utilização do método cético como catartikon da filosofia dogmática”. Independentemente de seu mérito filosófico intrínseco, os escritos desta coletânea evidenciam os dilemas que finalmente levarão Kant à filosofia crítica e ao idealismo transcendental.
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