Dois destinos trágicos
Não faltam publicações sobre a vida tumultuada que o escritor F. Scott Fitzgerald teve ao lado de sua mulher, Zelda. A partir do redescobrimento do autor americano, no início dos nos 50, surgiu um número considerável de biografias, ensaios e compilações de cartas que exploravam os aspectos mais sensacionalistas da relação do casal. O diferencial deste Querida Zelda, querido Scott (Companhia das Letras, 472 pp., R$ 56,50), nova reunião da correspondência dos Fitzgerald, foi juntar, num mesmo volume, as cartas de ambos. Com organização de Jackson P. Bryer e Cathy W. Banks, o livro traz 211 cartas e telegramas inéditos, que vão desde os tempos de namoro e noivado (1918 -1920) aos últimos e melancólicos anos de convívio (1935-1940). Acima de tudo, a grande contribuição desta coletânea não é apresentar grandes revelações sobre os Fitzgerald, mas, sim, mostrar como essas duas almas inquietas se tornaram o produto de uma geração. Dois personagens trágicos que, a maneira dos anti-heróis dos melhores livros de F. Scott Fitzgerald, sonharam alto com uma glória feita de liberdade e grandeza – mas acabaram, tristemente, no outro lado do paraíso.
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