Jornalista lança livro sobre meninas vítimas de exploração sexual
Natasha entrou na prostituição aos 9 anos para recuperar seus patins roubados por uma amiga. Britney mantinha relações sexuais antes dos 14 para comprar absorventes e pasta de dente. Ambas escolheram nomes fictícios – supostamente inspirados na música do Capital Inicial e na cantora pop americana – para contar seu cotidiano de pobreza, abuso sexual e envolvimento com o tráfico em As meninas da esquina (Record, 420 pp., R$ 49,90), livro da jornalista Eliane Trindade lançado agora pela Record. É uma reunião de diários que expõe a vida de seis adolescentes durante um ano. Mais que um histórico de violações, elas têm em comum infâncias curtas e o pragmatismo de viver um eterno presente. Eliane Trindade começou a fazer parte da vida dessas meninas quando rascunhava uma reportagem sobre exploração sexual. Com o choque ao ler as histórias e a convicção de que não poderia se envolver e ficcionalizar, a jornalista concluiu que reportagens com fotos borradas e pessoas escondidas por iniciais não eram suficientes. O projeto do livro era dar voz às adolescentes e só depois analisar os problemas em comum. E sugerir reflexões não satisfeitas com soluções demagógicas e assistencialistas.
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