Nelson Motta fala do Flu e revela cultura do jeitinho
Uma coleção de livros sobre grandes clubes de futebol, escritos por torcedores mais ou menos célebres, corre o risco de cair na armadilha da redundância e da previsibilidade. Como fugir da mera apologia e evitar que um livro desse gênero seja uma espécie de pregação para convertidos, destinado a ser lido apenas por torcedores fanáticos como seu realizador? Os autores da coleção Camisa 13 têm buscado modos diferentes de enfrentar essa questão. Luís Fernando Verissimo, por exemplo, optou por uma narrativa autobiográfica, centrada em suas relações sentimentais com o Internacional de Porto Alegre. Sérgio Augusto, por sua vez, escolheu um enfoque mais amplo, transformando seu livro sobre o Botafogo num extenso painel do futebol e da cultura carioca. O título mais recente da coleção, escrito pelo compositor, produtor e escritor Nelson Motta, adota um recorte original e arrojado para falar do Fluminense. Motta concentra-se num período de dois anos e tem como protagonista não um ídolo da torcida, mas um “cartola”, o juiz de direito Francisco Horta, que montou um time repleto de craques no biênio 1975-1976, quando foi presidente do Fluminense. Mas Fluminense – A Breve e Gloriosa História de uma Máquina de Jogar Bola (Ediouro, 160 pp., R$ 34,90) é mais que um mero elogio do bom futebol. Ao contar a saga um tanto maluca de Horta, Motta acaba por fazer uma crônica de bastidores que transcende o âmbito do futebol e desvenda a cultura do jeitinho e da “brodagem”, a promiscuidade entre a política e o esporte, a indistinção entre o público e o privado que caracterizam o “brazilian way of life”.
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