O fascínio do povo colorido
Em Palavra cigana – seis contos nômades (Cosac Naify, 88 pp., R$ 35), sétimo volume da coleção Mitos do Mundo, a antropóloga Florencia Ferrari apresenta seis contos recolhidos na tradição oral de comunidades ciganas de diferentes países. Nessas histórias de enganação e sedução, esperteza e bom humor, prodígios e assombros sobrenaturais, a autora apresenta os principais traços da vida cigana, numa costura literária que recusa os estereótipos e clichês tão comuns quando falamos dessa cultura vibrante e ainda desconhecida. Com ilustrações de Stephan Doitschinoff, o livro é fruto da pesquisa de mestrado e doutorado da autora, que estudou e conviveu com um grupo cigano no interior de São Paulo para preparar sua dissertação de mestrado, sobre a presença dos ciganos na literatura ocidental. No apêndice “Uma caravana de histórias”, a autora comenta alguns dos aspectos da história e da vida cigana e faz indicações de livros, músicas, filmes e obras de arte. Do brasileiro Guimarães Rosa – “os ciganos eram um colorido” – ao italiano Caravaggio, o holandês Bosch e o bósnio Emir Kusturica, artistas de todas as expressões, tempos e espaços se deixaram fascinar pelos ciganos.
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