Publicidade
Voltar CLIPPING

O destino pode ser árido

28 de julho de 2005
2 min de leitura

Publicidade
Publicidade

A saga de uma família marcada pela tragédia. Esse é o mote do romance O sol dos Scorta (Nova Fronteira, R$ 29), do francês Laurent Gaudé, ganhador do prêmio Goncourt 2004. A narrativa envolvente é o grande trunfo desse livro sobre os Scorta, uma dinastia onde todos os seus personagens prenunciam algo de sinistro no destino. Apesar de ambientado numa região árida e seca do Sul da Itália, existe algo da dramaturgia grega na vocação trágica dos personagens desse romance saboroso e encantador. Montepuccio, o povoado onde se passa essa crônica, é um lugar tão quente que, na hora da sesta, os moradores se trancam dentro de casa para fugir do sol, capaz de rachar até as pedras que infestam a paisagem. É esse sol inclemente e cruel que orienta o destino de cada um. O sol é quase o narrador dessa trama que, no seu desenrolar, muitas vezes lembra um dos velhos faroestes filmados na Itália. Por mais que desejem ir embora desse mundo, os personagens não conseguem sair do povoado, como se fossem almas penadas condenadas ao inferno. Isso faz do romance uma alegoria sobre como o ser humano está limitado a cumprir seu próprio destino, independente de desejos, sonhos e obsessões. Laurent Gaudé nasceu em Paris em 1972 e tem feito sucesso em seu país como dramaturgo e romancista, recriando, com seu estilo jovial e contemporâneo, o clima denso das tragédias gregas. Seu primeiro romance, A morte do rei Tsongor, foi publicado no Brasil pela mesma Editora Nova Fronteira que ora lança O sol dos Scorta.

Compartilhar:

Leia Também

Gostou deste conteúdo?

Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email

Toda segunda e quinta
Publicidade