Raúl Rivero reporta uma Cuba sem censura
A Editora Barcarolla lança, este mês, o primeiro livro de Raúl Rivero publicado no Brasil. Destaque na imprensa, um dos maiores poetas cubanos, escritor e jornalista, Rivero foi condenado por Fidel Castro a 20 anos de prisão no ato conhecido como Primavera Negra em que, em 2003, ele e mais 27 colegas foram detidos e julgados sumariamente. Provas de contato (256 pp., R$ 36, trad. José Rubens Siqueira) relata, no melhor do jornalismo literário, os casos de abuso de poder, repressão, censura e assassinatos ocorridos em Cuba sob a ditadura de Fidel. Depois da morte de Guillermo Cabrera Infante e Reinaldo Bragato, Rivero é atualmente o escritor cubano dissidente mais importante na luta pelos direitos humanos e de liberdade de expressão na Ilha. Através de 61 textos curtos, Rivero apresenta fatos e personagens em situação limite, privilegiando aqueles que nunca têm voz em Cuba e, quando ousam falar mais alto, são punidos. Na orelha do livro, o jornalista William Waack conta um pouco da história do autor. “Talvez Raúl Rivero tenha sido preso por não se preocupar em contar para o resto do mundo as versões oficiais que o regime cubano gosta de propagar. Ou tenha sido detido, sem acusação e sem julgamento, por ter se preocupado em mostrar as desilusões, a desesperança, o desespero de boa parte da população cubana e, claro, os desmandos das autoridades.” E Waack conclui: “O que ele escreve é prova, tantas vezes vista em regimes de opressão das mais variadas tendências, de que a liberdade do espírito humano sempre triunfa” Libertado do cárcere em novembro de 2004, depois de forte pressão internacional, Rivero recebeu da Unesco o Prêmio Guillermo Caño de Liberdade de Imprensa. Atualmente vive exilado em Madrid.
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