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Prosa indecisa, mas certeira

26 de julho de 2005
2 min de leitura

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O conto está na moda. Ou melhor, a narrativa curta. São duas coisas distintas, apesar de o leitor ser, muitas vezes, induzido ao erro. O conto é diferente da história curta e também é diferente da crônica. Mas parece que tudo virou um grande balaio de gato. É pena. Em Todas as festas felizes demais (Barracuda, 96 pp., R$ 28), o estreante Fabio Danesi Rossi comete o pecadilho de trocar alhos com bugalhos, na confusão que se tornou a tal da narrativa curta. A ficha bibliográfica diz que são contos. Mas muitos dos textos contidos no livro são crônicas. Demérito? Digamos que é apenas uma prosa indecisa entre uma coisa e outra, e que por isso mesmo se define com um neologismo: côntricos. Os textos giram em torno de situações cotidianas, daí a proximidade maior com a crônica, ainda que esta seja um gênero que muitos preferem restringir à prosa que se faz nos jornais. Quando se afastam da efemeridade própria deste gênero e parecem alcançar a dimensão etérea do conto, as narrativas de Todas as festas felizes demais se fecham – daí a aproximação com as histórias curtas de tradição anglo-saxã. De conto mesmo há muito pouco. Mas isso não importa. Como cartão de visitas, o livro é bastante competente. É raro ver no Brasil escritores que prezem pelo aforismo, ainda mais nas novas gerações. Rossi também não peca como os seus contemporâneos, que optam por uma linguagem mais relaxada. Pelo contrário, a prosa de Rossi é enxuta e coloquial, mas elegante. E tem humor, mas um humor que nos deixa com o sorriso amarelo, inconfessável, da nossa pateticidade.

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