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Repórter desvenda segredos do PCC

24 de julho de 2005
2 min de leitura

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Diálogos descritos em Cobras e Lagartos (0bjetiva, 274 pp., R$ 44,90), do jornalista Josmar Jozino, é uma imagem perfeita de como nasceu a organização. Josmar mostra que o PCC teve três aliados importantes em sua criação e em sua conquista dos cárceres paulistas: a corrupção no sistema prisional, os maus-tratos e o massacre de 111 presos no Pavilhão 9 da Casa de Detenção. A obra foi buscar nos depoimentos e relatos das mulheres dos líderes do crime organizado, as primeiras-damas, os segredos dos homens que construíram a facção, muitos dos quais foram devorados pela revolução que eles provocaram nas penitenciárias do Estado. Mas a obra de Jozino não se limita a um relato da vida prisional. Vai além. Ele nos conta o funcionamento do crime organizado nas ruas e como isso influenciou os criminosos comuns, enquanto o PCC ampliava seus negócio não só com o domínio dos pontos de venda drogas, mas também cobrando contribuições em dinheiro dos maiores ladrões e seqüestradores do Estado. Até alguém como Andinho, o seqüestrador que apavorou Campinas, teve de bancar uma festa de primeiras-damas do grupo, além de pagar mesada à facção. Jozino traz também muita informação inédita. É ali, em seu livro, que se revela que a ordem para a megarrebelião nos presídios paulistas, ocorrida em 2001, partiu da Penitenciária de Piraquara, no Paraná, onde estava Cesar Augusto Roris, o Cesinha, fundador da facção e então um dos chefes do grupo. Com sua narrativa direta, Jozino nos ajuda a compreender o crime organizado. De fato, ele não pesquisou, apurou, entrevistou e enfrentou até ameaça de morte para terminar num armazém de secos e molhados.

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