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Watergate vira oportunismo editorial para Bob Woodward

23 de julho de 2005
2 min de leitura
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A indústria editorial tem feito nos últimos anos grandes esforços para adaptar-se ao novo ambiente da mídia criado com a chegada dos canais de notícias internacionais e, especialmente, da internet. Uma das novidades é a colocação à venda de livros sobre fatos e eventos que aconteceram ou foram revelados muito pouco antes da edição desses volumes. É nessa lógica que aparece no Brasil, apenas dois meses após a revelação da identidade de “Garganta Profunda”, a principal e misteriosa fonte dos jornalistas do “Washington Post” que investigaram o caso Watergate, o livro O Homem Secreto (Rocco, 224 pp., R$ 25), de autoria de Bob Woodward com um artigo de Carl Bernstein, os dois repórteres do jornal americano que ajudaram a derrubar Richard Nixon da Presidência dos EUA. As desvantagens do estratagema, no entanto, também são claras. Em tão pouco tempo, é difícil produzir um texto que adicione reflexão ou mesmo dados antes desconhecidos que proporcionem alargar o conhecimento de um tema. Depois que a revista “Vanity Fair” publicou a reportagem na qual Mark Felt admitia ter sido a fonte de Woodward, todos os veículos de comunicação de massa do mundo foram inundados com depoimentos, análises e testemunhos sobre o caso. Woodward é, inegavelmente, um ótimo jornalista. Mas nunca primou pela profundidade da análise e sempre deixou muitas dúvidas sobre até que ponto suas informações correspondiam inteiramente aos fatos. Não é em O Homem Secreto que ele se diferencia. Nada ou muito pouco além das especulações de senso comum se fica sabendo sobre os motivos que levaram Felt a trair o presidente Nixon, nem sobre como ele teve acesso a tantos detalhes tão rapidamente do que ocorria no Salão Oval da Casa Branca. Talvez a principal razão da importância desse livro seja demonstrar como a prática bem realizada da entrevista “off the record” (sem atribuição da fonte) é fundamental para a instituição jornalística num período histórico em que ela está sob risco, principalmente nos EUA. Mas Woodward não se dá ao trabalho de refletir sobre esse aspecto vital para a sua profissão.

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