A estréia de um grande contista
O improvável encontro: de um lado, o inovador, a irreverência, a transgressão; de outro, a melhor tradição clássica do conto no rigor da estrutura formal, e o cuidado obsessivo com a palavra. Essa surpreendente cumplicidade transcorre nas treze histórias curtas reunidas em Romãs Maduras (Terceiro Nome, 142 pp., R$ 26), que acaba de ser editado. O autor, Marco Antonio Arantes, até aqui um inexplicável quase desconhecido, apresenta-nos um dos textos mais vivos, mais inquietos e instigantes do conto brasileiro contemporâneo. Ex-advogado, ex-jornalista, ex-executivo de multinacionais, largou tudo para apenas escrever, com um dos pés no realismo fantástico e o outro no estudo interminável da língua e dos clássicos. Romãs Maduras é a estréia do contista em livro, mas seu talento já havia sido contemplado com o Prêmio Cruz e Souza, nas duas vezes em que concorreu: em 1996, com Contos de Passagem, e em 2002, com Olá & Outras Mentiras.
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