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Contemplar a palavra

19 de julho de 2005
1 min de leitura

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Guimarães Rosa, em correspondência ao seu tradutor italiano, Edoardo Bizzarri, sentenciou que “em arte não vale a intenção”. É sob as égides desta declaração que a obra de Ascânio Lopes (1906-1928) deve ser examinada. A pequena antologia poética que se originou de seu espírito desassossegado não pode ser protegida pelo fantasma do que “poderia ter sido”. Objeto de análise é o que Ascânio compôs nos seus 22 atormentados anos de vida. Luiz Ruffato, o consagrado autor de Eles eram muitos cavalos, uniu-se ao Instituto Francisca de Souza Peixoto para uma tarefa ousada e necessária: agrupar em um único volume todo o trabalho literário do “poeta da noivinha imaginária”, apresentado em bela edição nas 200 páginas de Ascânio Lopes – Todos os caminhos possíveis. Dividida em cinco partes, a antologia pretende cobrir um bom quinhão do que foi escrito por e sobre Ascânio. Tendo editado em vida Poemas cronológicos, o poeta mineiro deixou inédito o livro Sanatório. Ambos são apresentados na obra organizada por Ruffato, ao lado de outras poesias, ensaios e um fragmento de novela, publicados e inéditos, colhidos aqui e ali com a ajuda de Delson Gonçalves Ferreira.

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