Ecos de uma festa
A média de leitura no Brasil é de 1,8 livro por habitante ao ano. Onde se escondem os leitores brasileiros? Recentemente, dois eventos revelaram que eles não são seres invisíveis, tampouco se ocultam em guetos. Em maio, a 12 Bienal do Livro, no Riocentro, atraiu cerca de 630 mil pessoas, um conjunto heterogêneo e ávido querendo conhecer as novidades do mercado editorial e aproveitar as promoções. Foram vendidos 2,3 milhões de livros. Números expressivos que sinalizam a vontade do público de aproximar-se mais das histórias e de seus escritores. A terceira edição da Festa Literária Internacional de Paraty recebeu mais de 12 mil visitantes e demonstrou ser um espetáculo. Mais que uma festa de escritores, a Flip é a celebração da leitura. Durante cinco dias, o público não se ilhou dos acontecimentos no mundo. A Flip é uma maneira de conquistar novos leitores. Os lançamentos, a programação infantil e as mesas-redondas estimulam o desejo de conhecer livros e autores.
Não se nasce leitor, é preciso ser fisgado. Eu leio para tentar ser inteira e complexa, para saber me colocar na pele do “outro”. Ler sabota os pensamentos cristalizados, renova as idéias. É um risco. Clarice Lispector, escritora homenageada este ano na Flip, dizia que há duas maneiras para ser feliz: descobrindo o mundo ou lendo os livros. As opções talvez sejam compatíveis.
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