Identidade secreta: autora pornô
A inglesa Amy Bickerstaff não se destaca na multidão. Não é bonita nem feia, não é magra nem gorda, não é alta nem baixa. Aos 26 anos, Amy é uma secretária que cumpre diariamente suas funções burocráticas na redação de uma revista à beira da falência. Ao mesmo tempo, tenta manter intacta a sua identidade secreta: Marsha Mellow, autora de um dos livros mais vendidos do país. Tudo porque seu livro é, digamos assim, um dos mais picantes jamais publicados… Em Marsha Mellow e eu (Betrand, 294 pp., R$ 29, trad. Heloisa Maria Leal), de Maria Beaumont, Amy vai fazer de tudo para evitar que o mundo – principalmente seus pais conservadores, que não sabem nem que a filha tem o hábito de fumar – descubra ser ela a responsável por uma das maiores obras-primas da pornografia. Dois anos antes, quando Amy levou um fora de seu namorado após recusar um convite para passar a noite em um clube de swing, resolveu provar a si mesma que não era careta abriu seu laptop e começou a escrever. Botou em prática tudo o que aprendeu naqueles “livros de mulherzinha” que costumava devorar e roubou algumas experiências de seu melhor amigo gay, elevando à milésima potência o ingrediente “sexo” – porque, é claro, aquilo nunca seria lido por ninguém. Mas ela não deveria ter deixado o laptop ao alcance de sua irmã encrenqueira, que descobriu o texto e o enviou para cinco agentes literários.
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