O mordomo rouba a cena
Publicado originalmente em 1934, Obrigado, Jeeves (Globo, 280 pp., R$ 38, trad. Cassio de Arantes Leite) de P.G. Wodehouse, é a primeira narrativa longa protagonizada pelo dândi britânico Bertram Wooster e seu mordomo Jeeves. Anteriormente, as duas personagens haviam aparecido em pequenos relatos publicados em revistas inglesas. Foi com o romance, porém, que Wodehouse conseguiu a proeza de criar um modelo narrativo que pode ser repetido sem jamais se tornar repetitivo, graças ao humor sempre surpreendente desse mestre da farsa e da sátira. O protagonista é Jeeves, um culto e impassível mordomo que quase não aparece, mas que entra em cena na hora certa, para dar conselhos que seu patrão invariavelmente ignora e para salvá-lo de enrascadas que não raro culminam em cenas de pastelão. Os romances de Wodehouse, porém, não se esgotam no qüiproqüó e na trama hipnotizante. Além da escrita irônica, cheia de tiradas sardônicas disparadas pela língua viperina de Bertie, seus livros são também crônicas de um mundo em desaparição. Jeeves é o adorável clichê do serviçal submisso, do lacaio humilhado que prova ter mais nobreza de espírito do que seu patrão.
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