Heidegger x Hölderlin
Quando Martin Heidegger se depara com a poesia de Friedrich Hölderlin, em 1934, há um impulso criativo que o encaminha para outras trilhas que não o do pensamento conceitual, do enunciado lógico. Neste solo fecundo, o filósofo desenvolve a questão central de seu pensamento: o sentido do ser. Para acompanhar este percurso, Poesia e pensamento em Hölderlin e Heidegger (Unesp, 212 pp., R$ 39) de Marco Aurélio Werle, em, segue Heidegger em sua elaboração da filosofia do ser e da essência da linguagem. A obra começa situando o pensamento do autor de Ser e tempo e sua noção de poesia no momento em que ele se dedica à interpretação da poesia de Hölderlin. Depois, volta-se para as interpretações de poemas feitas por Heidegger. O que Werle no mostra especificamente é como a arte de Hölderlin impulsiona Heidegger na reformulação da noção de história, de verdade e de linguagem. E, na interpretação dos poemas, vislumbra-se o embate da poesia com o ser, que torna possível a manifestação do sentido da existência dos homens e do poeta, “na medida em que tanto o homem é poético quanto o poeta, a poesia, é existencial”.
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