A nossa ignorância do idioma
Que me diz o leitor se abre um livro e lá encontra: “Vento a léu, rábula de lés. Assim foi que desenhou um nastro ao licorne a libélula encantada. Silvando a terra, por esta azenha, um rasgo súbito pôs o casal a mezinhar numa gamboa. Assacava-lhes o trato cordial, assaltavam as esconjuras. Maiores no hiato de minuano dormente”. Saibam que todas as palavras aqui empregadas existem, estão dicionarizadas, e as frases fazem sentido, ainda que um tanto esotérico. Pois o livro Fama surda, uma reunião de três contos de autoria de Artemo Silva, editado pela KroArt ([email protected] – Rio, 2004), é todo escrito nesta linguagem que parece uma reverência a Camões nas vozes de Camilo Castelo Branco, Antero de Quental, Fialho de Almeida e outros figurões da literatura clássica portuguesa. Trechos de fazer os professores Pasquale Cipro Neto, Sérgio Nogueira e Deonísio da Silva babarem de vergonha pela sua ignorância do idioma.
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