Reflexões gaúchas sobre o frio
Identidade é coisa que se descobre ao longo do tempo. Talvez com alguma dificuldade, pelo fato de ser natural do Rio de Janeiro, cidade maravilhosa que sabe como poucas ser cruel com seus “estrangeiros”. Toda manifestação cultural não oriunda do eixo Rio-SP é estereotipada por quê? Medo ou incapacidade para entender? Isso me veio após a leitura de A estética do frio (Satolep Livros, 55 pp., R$ 18), edição bilíngüe português-francês resultado de uma reflexão séria, questionadora, profunda e desafiadora do gaúcho, cantor, compositor e escritor Vitor Ramil. Ele incita um debate a respeito da identidade, não a do gaúcho particularmente, que nos parece já estabelecida, antes sobre a desfaçatez, a hipocrisia do brasileiro e sua incapacidade para aceitar as diferenças e seu talento para a vulgaridade. A estética do frio não é excludente. Se o frio é gaúcho, a cultura busca a integração respeitando a tradição e estimulando o intercâmbio sem os ares circenses, mas com a força do Minuano sob a eterna luz do pampa. O pampa que o gaúcho, esteja onde estiver, carregará dentro de si.
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