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Preços mais altos aqui do que lá fora

10 de julho de 2005
2 min de leitura

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Os escritores estrangeiros que, nos últimos dias, tomaram as ruas de Paraty na Festa Literária Internacional da cidade, a Flip, encontram aqui uma realidade de mercado bem diferente de seus países de origem. Pesquisa feita pelos correspondentes do GLOBO em livrarias de França, Estados Unidos, Argentina e China constatou, na maioria das vezes, preços mais em conta do que os cobrados no Brasil. Um sucesso de vendas como Harry Potter e a Ordem da Fênix, que aqui tem preço de tabela de R$ 66,50 (o equivalente a US$ 28), nos Estados Unidos sai a US$ 19,79 e na Argentina, US$ 17,39. E, neste caso, a tiragem – argumento usado pelos editores brasileiros para justificar seus preços – não faz tanta diferença. O livro saiu no Brasil com 300 mil exemplares, enquanto na média a tiragem dos títulos bem vendidos aqui não chega a 5 mil. O economista George Kornis, que recentemente preparou um diagnóstico do mercado editorial brasileiro junto com Fábio Sá Earp, afirma que o problema maior no Brasil não é o preço do livro, e sim a baixa renda da população. No seu estudo, os economistas mediram a capacidade de compra de livros em diferentes países. Assim, se um brasileiro gastasse toda a sua renda para adquirir livros, compraria 1.473 títulos por ano. Muito menos do que a média de 3.913 dos franceses, porém acima dos 780 dos chineses. Kornis, porém, critica a gestão das editoras brasileiras: “É um mercado concentrado, com mentalidade empresarial primitiva”.

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