Mil e uma noites de sexo e cultura
O professor e pesquisador Mamede Mustafa Jarouche decidiu contrariar uma máxima de Jorge Luis Borges para executar um trabalho original: depois de pesquisas em diversas bibliotecas ao redor do mundo, algumas feitas pessoalmente, Jarouche traduziu diretamente de manuscritos árabes uma jóia da literatura mundial, o Livro das Mil e Uma Noites, obra que teve mais traduções e reedições no Ocidente depois da Bíblia. Como vai ser apresentado na íntegra, o relato está projetado para cinco volumes e o primeiro acaba de sair, pela editora Globo (424 pp., R$ 55). O feito é inédito mas, com isso, Jarouche ignora uma das lições de Borges que, em relação ao livro, dizia que quanto mais infeliz e distante for a versão do original, melhor e mais prazerosa será a leitura. Com a tradução, Jarouche consegue de uma certa forma contrariar o grande escritor argentino – bebidas direto da fonte, as histórias que a princesa Xerezade conta durante 1.001 noites para entreter o rei e escapar da morte revelam uma sensualidade mais acentuada e uma celebração da vida raramente encontradas nas versões traduzidas para o Ocidente. Assim, ao contrário do que normalmente é encontrado nas edições que povoam as prateleiras das livrarias, este Livro das Mil e Uma Noites não esconde relatos picantes nem se envergonha de apresentar detalhes sexuais.
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