Frutos da solidão
Uma história sobre o poder da palavra. Da palavra escrita, sussurrada, insinuada. Da palavra esquecida, embargada, dilacerada. Da palavra que une amores, desfaz negócios, apazigua mágoas. Da palavra que revela os sentimentos mais profundos e os mais sórdidos também. Ambientado na Porto Alegre de 1945, O Homem que colecionava manhãs (Objetiva, 372 pp., R$ 48,90), do escritor gaúcho Liberato Vieira da Cunha, nos apresenta uma reconstituição rigorosa daquela época – os imigrantes, o final de guerra, a política de Vargas. Em meio a esta cidade que oscila entre a tradição e a modernidade, conheceremos Alberto Lins da Nave, um sujeito que vive de escrever cartas – de amor e de negócios. Com seu talento para criar histórias, ele manipula a vida dos seus destinatários. Seduz mulheres, cobra dívidas, rompe relacionamentos e, até mesmo, provoca morte. Funcionário público que aguarda eternamente uma promoção no trabalho, Alberto namora vagamente uma moça chamada Gisa e tem alguns pesadelos recorrentes. Solitário, nunca conheceu sua mãe, tem uma relação complicada com o irmão e complementa sua renda escrevendo cartas para os outros. Sua vida passaria despercebida não fosse sua fértil imaginação. O Homem que colecionava manhãs fala do limite entre realidade e fantasia, entre o que somos e o que gostaríamos de ser.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta


